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Saindo da crise

 

Maura Véras, autora de um extenso trabalho acadêmico, assumiu a responsabilidade de reestruturar e recuperar a PUC-SP, uma das principais univerdades do País

No final de 2005, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) estava em situação de absoluta crise. Com muitas dívidas, a universidade tomou um empréstimo de R$ 82 milhões dos bancos Bradesco e ABN Amro para saldar débitos com 14 outras instituições, diminuindo os juros pagos e assumiu o compromisso de zerar o déficit mensal de R$ 4 milhões. A tarefa de fazer a PUC atingir o equilíbrio e iniciar uma operação com saúde financeira foi liderada pela professora doutora Maura Véras, que assumiu a reitoria no final de 2005. Sua missão era implementar uma reforma administrativa, realizando todas as medidas para que o equilíbrio fosse atingido.

Tomar as medidas necessárias não foi fácil, principalmente porque envolvia um grande número de demissões e diversos cortes de custos, ações sempre impopulares. A resposta às críticas, no entanto, veio na forma de resultado: a partir de março de 2006, a universidade conseguiu operar sem déficit financeiro, fato que não ocorria desde 2000. "Embora nunca tenhamos tido crise no setor acadêmico, foi o ano da recuperação do ponto de vista financeiro", diz a professora. A reestruturação passou por alguns pontos-chave, considerados fundamentais por especialistas para recuperar uma instituição em situação financeira delicada:aumentou-se o número de contratos de docentes com regime de dedicação integral ou com carga horária maior, algumas demissões ocorreram e procedeu-se uma reforma administrativa enxugando setores não ligados às funções essenciais, como a gráfica, que era deficitária. "Foi realizado um profundo planejamento institucional com base no orçamento, mostrando a todos que as atividades têm custos e que eles devem ser gerenciados para garantir a sustentabilidade", conta Maura Véras.

A reitora ressalta que academicamente a instituição manteve sua qualidade: as pesquisas, as graduações e os programas de pós continuam apostando em excelência e há 11 alunos para cada professor, um número que, segundo a doutora, é um dos indicativos de qualidade. "O importante em todo esse processo é que não descaracterizamos a essência da PUC, pois esta continua sendo uma universidade com produção de qualidade, mestrados e doutorados bem avaliados e reconhecidos pela Capes e com uma proposta de inclusão que privilegia a política de bolsas de estudo", afirma.Outro foco da reestruturação foi o hospital universitário, que resultava em prejuízos de um milhão ao mês, correspondendo a uma grande fatia do déficit que a instituição apresentava. Na mudança, ocorreram terceirizações, modernização e um processo de gestão mais compartilhada e eficiente entre os responsáveis. "Hoje, o hospital é uma divisão que dá superávit", afirma a reitora. Maura Véras diz que a mudança foi ainda mais significativa se for levado em conta que no desenrolar da história da PUC, que completou 70 anos no último dia 13 de agosto, 69 deles foram vividos em crise financeira. O quadro só mudou após a reforma administrativa, aplicando conceitos profissionais de gestão. Outra aposta para sair da crise foram os maiores investimentos em cursos de extensão, especialização e cursos formatados para grupos de empresas. "Somente nessa esfera, mantemos hoje por volta de 14 mil alunos." Além de atender a uma demanda social, são cursos que geram receita e ajudaram a estabilizar o quadro da instituição.

 

Carreira privilegiou planejamento e gestão

 

Antes de alcançar a reitoria da PUC, a professora doutora Maura Véras trilhou um longo caminho tanto no meio acadêmico, coordenando pesquisas e escrevendo livros em sua área de especialização, quanto atuando como planejadora urbana. Formada em Ciências Sociais pela própria PUC, em 1964, a reitora obteve o título de mestre em 1980 e de doutora em 1991, ambos pela mesma instituição e com o mesmo foco da graduação. Em 2000, foi a vez do pós-doutorado pelo Institut d Ètudes Politiques (IEP), na França, em Planejamento e Gestão das Cidades, área que consagrou sua livre-docência, em 2001, na PUC.

A doutora também é pesquisadora nível 1 do CNPq e já teve cargos no governo, trabalhando com políticas públicas, urbanas e habitacionais.

Trabalha até hoje, com pesquisas internacionais sobre metrópoles e é consultora científica das principais agências de pesquisa.  

 

 

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