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Educação, herança valiosa

16/11/2007

Milton Dallari

É impossível ignorar que o Brasil reencontrou o caminho do crescimento. Os sinais estão por toda a parte, com a indústria investindo em equipamentos para se modernizar, as ações na Bolsa de Valores subindo a cada dia, ao mesmo tempo em que pesquisas indicam o aumento do poder de compra da população mais pobre, motivado pelo acesso a empregos formais e ao crédito oferecido a juros baixos.

A grande dúvida é até quando teremos condições de sustentar esse ritmo em meio a problemas crônicos de infra-estrutura, uma legislação tributária sufocante, juros ainda altos e uma ausência de políticas educacionais capazes de inserir todas as classes sociais no círculo virtuoso da modernização. Temos de criar condições para desenvolver o capital humano.

Assim, o que mais preocupa, é a situação da Educação em nosso País. Alguns dados são estarrecedores. Uma pesquisa recente do instituto Ipsos aponta que apenas 23% dos brasileiros conseguem identificar o Estado de São Paulo em um mapa. Entre os entrevistados com nível universitário, em curso ou recém-concluído, o índice de acertos foi de 55%. Levando-se em conta que as aulas de Geografia começam quando a criança atinge os 9 ou 10 anos, o resultado é alarmante. É um contingente enorme de profissionais que desconhece conteúdo básico à disposição do mercado de trabalho.

Se não houver uma mudança significativa nesse setor, o Brasil vai parar de crescer em médio prazo, sem que haja milagre para reverter o quadro. O setor de Tecnologia, por exemplo, já prevê um déficit de 100 mil profissionais em 2010 em nosso território. E de nada adianta mandar o filho fazer uma faculdade nessa área se ele não estiver preparado para enfrentar calculadoras científicas e se dedicar com afinco aos estudos.

Nas últimas décadas, o sistema de ensino enfrenta problemas graves, que vão da metodologia do ensino à ausência de profissionais preparados para o magistério. Para resgatar a qualidade do ensino, é necessário investimento pesado em material e no corpo docente. É uma medida que requer urgência e não pode mais ser adiada, sobretudo porque seus reflexos poderão atingir uma parcela considerável de nossa população.

Os jovens também precisam mudar seu comportamento diante da leitura. Hoje em dia é difícil ver alguém com menos de 20 anos empunhando um jornal no ônibus ou no metrô. A justificativa é a mesma. A informação vem da Internet, embora saibamos que muitos passam o tempo na frente do computador batendo papo com os amigos. Muitos sequer desconfiam de que esse tempo precioso vai fazer muita falta amanhã.

É nesse ponto que os aposentados têm a contribuir com esse debate. Se não tem forças para mudar as políticas públicas da educação, eles podem incentivar os jovens, filhos e netos principalmente, a mudar a atitude diante da leitura. Isso já seria um bom começo para mudar a situação, sem contar que serviria como uma grande herança deixada para quem quer que seja. Por que não começar presenteando alguém que você gosta com um bom livro sobre geografia do Brasil? Faça sua parte a favor da Educação.

Milton Dallari é consultor empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp. O e-mail para contato é o mdallari@decisaoconsultores.com.br.

 

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