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Engenheiro automotivo é a bola da vez

16/11/2007

Evandro Maciel

Após pouco mais de 50 anos de indústria no Brasil, podemos dizer que a engenharia automotiva está consolidada no País. Entretanto, isso não é motivo para acharmos que nada mais precisa ser feito. Muito pelo contrário, os desafios crescem conforme o aumento da demanda por novos veículos, em quantidade e qualidade. 

Para superar estes desafios, precisamos investir, urgentemente, na formação de mão-de-obra especializada em engenharia automotiva, pois já começamos a sentir os reflexos dos tempos de vacas magras, quando as vendas ficaram muito aquém da capacidade instalada e, conseqüentemente, os engenheiros buscaram melhores oportunidades em outras áreas, como a financeira.

Felizmente, engenharia com especialização automobilística é a profissão do presente. E pode ser a do futuro também. Este é o objetivo do fórum Desafios da Engenharia da Mobilidade: Transformação de Engenharias Regionais em Engenharias Globais, que nós, do Comitê de Veículos de Passeio, realizaremos dia 29 de novembro, durante o Congresso SAE BRASIL 2007, em São Paulo.

Como disse, a engenharia automotiva está consolidada no País. Então, quais são as perspectivas para o futuro? Qual seria a nossa vocação para as próximas décadas? Acredito que no futuro próximo, o Brasil se firmará como um dos grandes centros de aplicação tecnológica no desenvolvimento e transformação de novos produtos automotivos, ao passo que EUA, Europa e Japão se tornarão naturalmente centros de desenvolvimento científico.

De forma simplista, minha visão é que transformaremos ciência, concebida nas respectivas matrizes, e transformaremos esta ciência em produtos, com tecnologia de ponta. Uma parte destes produtos será produzida localmente, mas outra parte da produção poderá migrar para países com mão-de-obra e custos estruturais mais baratos, principalmente na China e Índia.

Mas, como conquistamos e consolidamos o excelente cenário presente? Acreditando que havia mercado a ser explorado, algumas montadoras iniciaram no Brasil, nos anos de 1950, a montagem de veículos a partir da importação das peças. Pouco tempo depois, deu-se o processo de nacionalização ou tropicalização de parte dos componentes que formavam o veículo, dando, assim, início à engenharia automotiva no País.

Este movimento gerou a primeira necessidade de formação de mão-de-obra específica para atender essa nova indústria e mercado. Foi quando a área acadêmica se envolveu criando cursos voltados para a engenharia automotiva. Paralelamente, foi necessário criar MEC anismos de validação dos veículos tropicalizados e foi, neste cenário, que a engenharia automotiva brasileira começou a se consolidar.

Com o tempo e com condições macroeconômicas globais/mundiais, as matrizes começaram a ‘permitir' o desenvolvimento local de novos veículos para mercados regionais. A engenharia automotiva brasileira teve assim oportunidade de mostrar competência, criatividade e flexibilidade associadas à  operação com custos competitivos.

Com o desenvolvimento de veículos novos, completos, para mercados regionais, nos habilitamos a desenvolver veículos globais. A  partir daí, o cenário começou a mudar rapidamente e os centros brasileiros de desenvolvimento foram transformados em centros globais  e uma enorme quantidade de projetos migrou para o Brasil, criando hoje um cenário impensável alguns anos atrás.

Hoje, literalmente, as empresas carecem, urgentemente, de mão-de-obra especializada em engenharia automotiva, forçando um fenômeno de valorização profissional e, muitas vezes, gerando fortes migrações e concorrência entre as empresas. Muitas delas, para acelerar o amadurecimento tecnológico da nova geração de mão-de-obra, criaram cursos de especialização próprios, ou em parceria com universidades.

Fato é que fecharemos 2007 com quebra de recordes de vendas internas e produção, na ordem de aproximadamente 28% e 8%, respectivamente, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos). O número de 28% surpreende até mesmo os economistas chineses, mais acostumados a lidar com índices de aumento com dois dígitos. Isso tem facilitado trazer novos investimentos para o País, das empresas matrizes dos EUA e Europa e Ásia. 

É fácil concluir, então, que o futuro é promissor. Vendas em alta, novos investimentos, maior oferta de produtos, mais tecnologia nos veículos, e assim por diante. Infelizmente, sofremos um ‘apagão' de especialistas que pode mudar o ritmo evolucionário da indústria automotiva no Brasil, favorecendo nossos concorrentes internacionais diretos, China e Índia.

Evandro Maciel é diretor do Comitê de Veículos de Passeio do Congresso SAE BRASIL 2007

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