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O mercado de capitais e o crescimento econômico

João Batista Fraga *

O mercado de capitais brasileiro tem atravessado uma maré de superlativos, todos positivos para o país. No primeiro semestre de 2007, a Bovespa foi a que mais cresceu nas Américas entre todas as bolsas de valores com negociações diárias superior a US$1 bilhão. Também aparecemos em terceiro lugar no ranking mundial das bolsas que registraram a maior elevação no volume

diário de negócios, comparado com a média de 2002. Isso mostra que, finalmente, o Brasil conseguiu alcançar um patamar econômico de confiança que justifica essa boa safra de notícias.

Parte das conquistas do mercado de capitais, sem dúvida, deve-se ao emprenho das empresas que se dedicaram a melhorias na qualidade da gestão e no tratamento de seus acionistas. O reconhecimento do investidor sobre essas iniciativas também se reflete em números. Em 2007, tivemos uma alta de 43,6% do Ibovespa, e o volume negociado total na bolsa dobrou em relação a 2006, superando R$ 1 trilhão. Merece destaque ainda a expressiva quantidade de ofertas públicas iniciais de ações - 64 no ano.

Sobre a totalidade de 2008, não gostamos fazer previsões. Porém, alguns fatos recentes já nos permitem acreditar que teremos pela frente uma trajetória bastante positiva. Estamos nos referindo à chegada da primeira empresa num segmento da bolsa conhecido como Bovespa Mais. Trata-se de uma listagem especial da Bovespa voltada a companhias que tenham como estratégia o acesso gradual ao mercado de capitais. Foi criado com o objetivo de aproximar o mercado acionário dos empreendimentos cujas ações ainda não reúnem condições de liquidez compatíveis com os segmentos principais da Bovespa, porém, contam com perspectivas de crescimento, sempre observando as melhores práticas de governança corporativa.

Para participar do Bovespa Mais, as empresas - em geral, de pequeno e médio porte - assumem o compromisso de garantir mais direitos e informações aos investidores similares aos exigidos pelo Novo Mercado, o grau máximo de governança da Bovespa. Deste modo, deverão trabalhar permanentemente em prol da transparência, da eqüidade no tratamento dos acionistas e da prestação de contas ao mercado. A Bovespa, por sua vez, oferecerá a essas companhias um programa de orientação e formação profissional e também exposição aos investidores para que conquistem visibilidade junto a esse público.

Incluir o mercado de capitais nos planos de expansão da companhia traz diversas vantagens, a principal delas, no aporte de capital vindo de pessoas que acreditam, de fato, naquele projeto e desejam se tornar verdadeiros sócios da empresa.

Para se ter uma idéia, as 64 ofertas iniciais registradas no ano passado na Bovespa somaram uma captação de R$ 55,5 bilhões. Fora o crescimento do negócio, a companhia listada em bolsa ganha com a maior visibilidade perante seus clientes, maior credibilidade perante seus fornecedores e maior transparência perante seus funcionários. Contudo, o principal vencedor desta história é o Brasil, que fortalece sua economia e constrói bases consistentes para um desenvolvimento sustentável no longo prazo.

*João Batista Fraga é diretor de Relações com Empresas da Bovespa.

 

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