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Relacionar-se: palavra chave do processo ensino-aprendizagem

Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos *

De todos os recursos didáticos disponíveis ao docente do ensino superior, o mais importante - embora nem sempre cultivado como tal - é o relacionamento professor-aluno.

Métodos, técnicas e recursos tecnológicos estão aí disponíveis e devem ser utilizados como auxiliares ao trabalho docente, no sentido de fazer da sala de aula um espaço agradável para se estar. No entanto, nada substitui o relacionamento que se estabelece entre o professor e seus alunos, relacionamento este capaz de, por si só, funcionar como fator motivador dos mais poderosos.

O professor transmissor, exclusivamente conteudista, aquele que domina o conteúdo de sua matéria, mas preocupado apenas com o ensinar, sem, contudo, objetivar a aprendizagem de seu aluno, já não mais tem espaço na atualidade. O professor deverá, também, cuidar de sua competência pedagógica, sendo um facilitador do processo e dominando os recursos disponíveis para tornar o aprendizado de seus alunos uma tarefa mais fácil.

No entanto, há que se traçar aqui alguns limites para esse papel de facilitador do processo que hoje se propõe ao professor do ensino superior. Longe de ser um desenho permissivo do desempenho docente, o professor facilitador deverá estar atento para as tarefas inerentes a sua profissão, organizando o espaço da sala de aula, dando as coordenadas da programação de seu curso/disciplina, exercendo, enfim, a autoridade que seu papel institucional lhe conferiu.

Um aluno curioso, questionador, argumentador e consciente de seu direito a opinar e discordar, não será, necessariamente, desrespeitoso ou indisciplinado!

Na relação de autoridade, que necessariamente permeia a relação professor-aluno, o desempenho profissional do primeiro deve levar à organização do espaço de trabalho conjunto de ambos (sala de aula, laboratórios, ateliês) e, por conseqüência, ao cumprimento das normas pré-estabelecidas, sem, contudo, exigir do grupo discente submissão alienada e/ou passividade e, ainda, sem a utilização de meios externos de coerção.

O que todo professor deve buscar é um relacionamento com seus alunos baseado na colaboração, passo primeiro para um bom clima relacional, facilitador do processo de aprendizagem. Desse bom relacionamento, mais facilmente nascerá a possibilidade de que os alunos venham a se sentir co-responsáveis por seu processo educativo e, assim, efetivar a sua real aprendizagem, objetivo final de todo professor.

* Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos, ex-secretária de Educação de São Paulo, é pedagoga, formada pela USP (Universidade de São Paulo), doutora em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutora em Educação pela USP.

 

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