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Dinheiro novo nas universidades brasileiras

Tânia Nogueira Álvares *

O processo de consolidação das empresas de ensino superior privado deve registrar lances ousados na disputa pelas melhores oportunidades de negócios entre as 2,3 mil escolas existentes no país e que, em 2007, abrigaram 5,31 milhões de estudantes, incluindo cursos presenciais, a distância, seqüenciais e tecnológicos.

Além de uma cifra superior a R$ 1,5 bilhão - levantada através da oferta pública de ações para a compra de faculdades e centros universitários e abertura de novos campi - nas mãos da Anhanguera Educacional, Estácio de Sá Participações, Kroton Participações (do grupo mineiro Pitágoras) e SEB - Sistema Educacional Brasileiro, o setor deve atrair novas inversões de fundos de private equity que já voltaram seus olhos para esse mercado, como o UBS Pactual e o Advent International.

Instituições norte-americanas de ensino globalizado também devem avançar no mapa brasileiro. Com presença nas principais economias emergentes, a Laureate International - hoje dona de 51% da Universidade Anhembi Morumbi e da Universidade Potiguar (RN) - está desenhando os acertos finais para agregar instituições no Rio de Janeiro e em novos estados da região Nordeste.

A Whitney International University System, que em novembro de 2006 adquiriu 60% das Faculdades Jorge Amado, na Bahia, também colocou o Nordeste como área prioritária devido à melhora da renda da população. E a DeVry Inc. tem igualmente percorrido instituições de ensino superior privado em busca de uma boa oportunidade de compra. O próprio Apollo Group, que em 2001 implantou o sistema universitário da Universidade de Phoenix (EUA) na rede Pitágoras e saiu da sociedade em 2006, também está de malas prontas para voltar ao Brasil e prospectar novos negócios.

Um novo protagonista estuda esse mercado. O economista Paulo Guedes - que soma a experiência como gestor de investimentos (foi um dos fundadores do Banco Pactual e de diferentes butiques de gestão de recursos como a Fidúcia e a JGP Asset Management) com o conhecimento da área educacional (foi sócio-presidente do IbMEC , hoje uma grife valiosa de cursos de economia e administração) - formatou o fundo de investimentos em participações BR Educacional e já levantou ao redor de R$ 350 milhões para disputar uma fatia desse setor em 2008.

Todos esses novos participantes, no entanto, devem enfrentar a força do mais bem-sucedido e antigo empresário do setor, João Carlos Di Genio, dono da rede de colégios Objetivo e da Unip (Universidade Paulista). No último ano, ele vem consolidando a integração das cerca de 50 faculdades que ainda não estavam dentro da rede da Unip, o que deve levar a instituição a ultrapassar a barreira de 200 mil alunos, deixando para trás a Estácio de Sá. A formação de uma holding única para suas escolas de ensino superior tem como objetivo atrair fundos gigantes - do porte nacional e de estrangeiros - para consolidar sua presença como o maior grupo educacional do Brasil e preparar a instituição para o segundo passo, de abrir capital, e aumentar, ainda mais, sua força de expansão.

* Tânia Nogueira Álvares é jornalista.

 

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