Aprender - O portal de ensino superior

Corpo Discente

Especial - Guia de sobrevivência para 2009 - Como proteger seu emprego

Como manter seu emprego durante a crise

Dezesseis conselhos de especialistas em recursos humanos para que você consiga proteger seu trabalho da desaceleração da economia mundial

Até o fim de 2008, ainda havia esperanças de que a crise econômica mundial fosse pegar o Brasil apenas de raspão. Mesmo quando a crise saiu do âmbito puramente financeiro (a queda das ações nas Bolsas de Valores) e viram-se os sinais de forte desaquecimento nas exportações, na atividade industrial, na venda de imóveis e no varejo, ainda havia fôlego para tratá-la como uma “marolinha”. Não mais. Na semana passada, o Ministério do Trabalho divulgou que o país perdeu 654.946 empregos de carteira assinada – o pior resultado mensal de toda a história do Brasil, tanto em números absolutos como em termos relativos (a porcentagem de trabalhadores demitidos em relação aos empregados). O desemprego foi mais sentido nos setores da agricultura, indústria alimentícia e construção civil. Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego recuou para 6,8%, a menor taxa mensal desde 2002. Mas a metodologia do IBGE é indireta: ela leva em conta a contratação de temporários (o número deles costuma ser alto perto do Natal) e não consegue captar o desemprego daqueles que já desistiram de procurar (e em dezembro menos pessoas batem à porta das empresas para procurar emprego). Analistas preveem que os números do IBGE relativos a janeiro já indicarão uma acentuada piora.

O governo deu sinais de que está muito preocupado com o salto do desemprego. Coincidência ou não, o Banco Central anunciou na quarta-feira um corte de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, levando-a para 12,75% – uma forma de estimular a economia. No dia seguinte, foi anunciado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receberá uma injeção de mais R$ 100 bilhões para financiar investimentos em petróleo e gás, energia elétrica e infraestrutura. E o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer vincular financiamentos oficiais a garantias das empresas de que não vão demitir. Isso já vale nas negociações para a concessão de alívios fiscais para as empresas. São medidas que estão na contramão da dinâmica natural dos mercados, e portanto têm chances limitadas de surtir efeitos relevantes. Tudo leva a crer que as demissões vão continuar, por algum tempo, aqui e no exterior. Só na semana passada, a Sadia anunciou o corte de 350 profissionais de gerência para cima. Nos Estados Unidos, a Microsoft anunciou a demissão de 5 mil empregados nos próximos 18 meses, em todo o mundo (o Brasil, aparentemente, será poupado). A Vale propôs a seus funcionários licença remunerada com pagamento de metade do salário. Aqueles que aceitarem terão seus empregos garantidos até 31 de maio.

Nesse ambiente, é natural que as pessoas fiquem apreensivas. Por isso, com a ajuda de empresários e especialistas em recursos humanos, preparamos este manual com 16 atitudes que podem ajudar você a garantir seu emprego.

1 - Não se desespere

A crise não vai varrer do mapa todos os empregos. A engrenagem econômica continua operando, apenas num ritmo mais lento. Espante o pânico e pense no futuro, no que fazer desde já para navegar nessas águas turvas. “Ter tranquilidade é fundamental. Aquele que se deixar influenciar pelo nervosismo e pessimismo vai afundar”, diz Marcelo de Lucca, diretor-executivo da Michael Page do Brasil, empresa de recrutamento especializada em executivos para média e alta gerência.

Falar é mais fácil que fazer, é claro. Uma pesquisa que a International Stress Management Association (Isma) deverá publicar em fevereiro revela que o medo do desemprego é a principal causa do estresse para 56% dos executivos brasileiros. A pesquisa foi feita com mil entrevistados de diversos setores. Diante de grandes responsabilidades e cobranças exageradas, é comum ver profissionais de qualquer nível hierárquico dentro de um perigoso ciclo de esgotamento. “O temor acaba consumindo todos os recursos que a pessoa tem para lidar com o problema”, diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma Brasil. É um círculo vicioso: a ansiedade paralisa a criatividade e drena as energias que poderiam ser aplicadas no trabalho. Isso atrapalha o desempenho e, como numa profecia autorrealizável, aproxima o ansioso da lista de candidatos à demissão.

O que fazer? Exercícios físicos e encontros com amigos ajudam a controlar a tensão. Mais importante ainda é dar à crise sua devida importância – mas não mais que isso. “A pessoa tem de entender a crise e traçar uma estratégia para superá-la”, diz o psicólogo Esdras Vasconcellos, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

2 - Não esqueça seus maiores aliados

Na hora do aperto, é comum a pessoa se isolar e culpar a si mesma pelos problemas que esteja enfrentando. Se não é bom viver na ilusão de que somos perfeitos e o mundo é que não nos compreende, o extremo oposto também não ajuda ninguém. Quando o fardo do trabalho pesa, lembre-se de buscar apoio das pessoas próximas. “Conheci um executivo que passou 15 dias seguidos indo ao cinema para esconder a demissão da família. Quando decidiu contar tudo, surpreendeu-se com a compreensão da filha, que se propôs a abrir mão das aulas de balé para cortar despesas”, diz Elaine Saad, gerente-geral da Right Management, consultoria especializada em recolocação profissional. A família e os amigos podem não ter como ajudar com problemas específicos do trabalho, mas a certeza de que eles vão continuar a seu lado, aconteça o que acontecer, dá aos problemas a dimensão que eles devem ter: restrita à esfera profissional. Isso pode, inclusive, facilitar a busca de soluções no trabalho, a aceitação dos riscos, a identificação de oportunidades (leia os itens a seguir).


3 - Cuide de suas finanças

“Quanto mais lastro financeiro você tiver, maior será sua tranquilidade e segurança ao lidar com o risco de perder o emprego”, afirma José Augusto Minarelli, sócio da consultoria Lens & Minarelli Associados, especializada em aconselhamento profissional. Nos tempos de bonança, os analistas aconselham um “colchão de emergência” equivalente a seis meses de despesas de sua família. Com a crise, essa reserva deve ser ampliada para 12 meses. Este deverá ser o novo período médio para um gerente ou um executivo demitido arrumar trabalho. Isso significa cortar gastos supérfluos, poupar mais.


4 - Saia da zona de conforto

Manter a calma não significa ficar passivo. Já passou da hora de você perceber que o ambiente econômico piorou para as empresas. É hora de adaptar-se à nova realidade. “Quem fica acomodado está em apuros”, afirma a especialista em gestão de carreira Karin Parodi, sócia da Career Center. “Independentemente da crise, você precisa se preparar para se tornar um profissional imprescindível para a empresa”. Essa mudança não é fácil. Nenhuma mudança é. Em geral, lutamos para atingir uma zona de conforto e, quando a atingimos, queremos ficar nela. Em tempos mais tranquilos, quando a demanda é alta, a exigência é menor. E o natural é fazer mais do mesmo, acreditar que o que fazemos é suficiente.

O problema da zona de conforto é que em geral a sensação de conforto é ilusória. Enquanto os negócios iam de vento em popa, a atitude menos ativa tinha mais chance de ser tolerada. Seus resultados podiam até ser um pouco menores que a expectativa, mas havia espaço para todos. Agora, qualquer relaxamento será provavelmente interpretado como omissão. “Se você foi acomodado, agora é a hora da verdade. Não dá para apagar o comportamento do passado. Mas ele deve servir de lição para o futuro”, diz Oscar Motomura, diretor da Amana-Key, consultoria especializada em estratégia de empresas.

Esse processo de transformação pessoal exige uma série de iniciativas tanto no âmbito profissional quanto pessoal. O passo inicial é uma autoanálise honesta sobre sua situação atual. Algumas perguntas que você deve se fazer: Qual é o impacto da crise sobre meu empregador? Qual é a minha importância para a organização? Como posso me tornar mais relevante tanto na minha empresa como no mercado de trabalho em geral? Quais são os passos necessários – postura, iniciativas, contatos, cursos etc. – que vão me ajudar nessa transição? Após traçar essa estratégia pessoal, é hora de partir para a ação.


5 - Esteja preparado para mais sacrifícios

“Em tempos de crise, é preciso trabalhar mais, melhor e com menos”, afirma Minarelli. Por quê? Em geral, as empresas precisam reduzir seus custos. Funções que até recentemente eram terceirizadas são absorvidas pela equipe interna. Quando há demissões, a carga de trabalho dos sobreviventes aumenta. Mesmo as empresas que não pretendem demitir já estão promovendo cortes de custos – economia de telefonemas, papel, almoços, benefícios, gastos com consultorias – por causa da incerteza de uma economia em retração. É injusto? Não, é a nova realidade. Encare o aperto com tranquilidade. E aceite algum nível de frustração. “Você deve saber que alguns projetos que está tocando poderão ser cortados, que investimentos externos serão cancelados. Ou que terá de trabalhar sozinho, sem um reforço de equipe que havia sido prometido”, diz Fernanda Pomin, sócia-diretora da Korn/Ferry, empresa de recrutamento de executivos. “E mais uma coisa: não poderá perder o controle e brigar com as outras pessoas”.

  • Currently 0; ?>/ TOTALSTARS
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Publicidade

CM Consultoria

Relacionados

Copyright 2007 - CM Consultoria - Todos os direitos reservados