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Gestão de Cursos

Atividades Complementares

Atividades complementares fazem alunos vivenciarem sua futura profissão, enriquecem programas dos cursos e fortalecem relações da escola com sua comunidade
Por Trama Comunicação

"Os jovens de hoje têm a chance de perder a ingenuidade mais rapidamente, porque têm contato mais rápido com a realidade e as frustrações", Beatriz Costa Bernardes, diretora de Extensão da Universidade São Marcos

Previstas por lei desde 1994 para o curso de Direito, o desenvolvimento de atividades complementares nos programas de ensino superior tornaram-se uma das ferramentas mais importantes para enriquecer os projetos pedagógicos dos cursos e levar os estudantes a campo por meio do desempenho prático de seus objetos de estudo. Pela legislação, essa prática pode ocupar até 20% da carga horária total prevista pelo Ministério da Educação (MEC). E, se aplicada de forma sinérgica com os outros elementos do curso, pode trazer grandes diferenciais.

 

Atividades complementares não podem apenas se somar ao curso, mas interagir com as demais atividades de formação desenvolvidas, tornando-se es-senciais para que o aluno de-senvolva competências

 

Na prática, as atividades complementares
traduzem-se em mecanismos de aproveitamento dos conhecimentos adquiridos pelo estudante por meio de monitorias, estágios, iniciação científi ca, extensão, participação em eventos científi cos e culturais ou em programas e cursos oferecidos por organizações empresariais. "Elas não podem apenas se somar ao curso, mas interagir com as demais atividades de formação desenvolvidas, tornando- se essenciais para que os
estudantes aprendam a construir o próprio conhecimento, saibam tomar decisões e responder por elas, adquiram ética profissional, desenvolvam comportamento empreendedor, entre outras competências", avalia Yolanda de Castro e Souza, consultora da CM Consultoria.

Outra função muito importante das atividades complementares é o desenvolvimento dos conteúdos programáticos nas diferentes modalidades de ensino dentro de um contexto amplo para a formação global, dando ênfase às atividades que promovem novas opções de trabalhos inter e multidisciplinares. Para que isso ocorra, elas devem se integrar à organização curricular do projeto pedagógico do curso, sendo previstas desde o início de sua elaboração. "Se as atividades forem incluídas de forma aleatória sem um documento de orientação que apresente uma gama de possibilidades e agregue valor ao curso e ao currículo, não haverá efeito prático. Elas devem ser concebidas de forma que o aluno construa seu próprio portfólio de atividades, direcionando-as de acordo com a formação que deseja para si",
completa Yolanda.

O desenvolvimento dessas atividades é responsabilidade de toda a comunidade acadêmica, desde os mantenedores, que delegam responsabilidades e viabilizam os recursos, até coordenadores,professores, pessoal acadêmico-administrativo e, finalmente, do aluno, que passa a enxergar a construção de sua formação de uma forma concreta e terá mais subsídios para assumir responsabilidades por ela.

A Universidade São Marcos (Unimarco), que possui como um de seus focos a formação de educadores, desenvolveu uma série de projetos de atividades complementares que permitem ao estudante um contato mais amplo com seu futuro campo de trabalho. "Os alunos vão ao encontro com o inesperado, como é no dia-a-dia. É diferente do estágio, porque não há supervisão. As atividades complementares enriquecem o currículo profissional e pessoal do estudante", afirma a professora Beatriz Costa Bernardes, diretora de Extensão da instituição.

As atividades na Unimarco variam desde a produção de material de biblioteca voltado especifi camente a cidadãos com defi ciência visual até a participação em projetos de alfabetização de crianças e adultos e desenvolvimentos de atividades voltadas à terceira idade. "Em minha época, a faculdade era muito teórica. Os jovens de hoje têm a chance de perder a ingenuidade mais rapidamente, porque têm contato mais rápido com a verdade, com a realidade e as frustrações", comenta Beatriz.

Segundo a professora, incentivar os alunos a propor projetos é fundamental. Quando a idéia nasce dos estudantes e a construção é conjunta, há maior envolvimento e dedicação. Para os professores também é um excelente exercício, em especial aos orientadores. Ajudar seus alunos a colocarem um projeto no papel e executá-lo da melhor forma possível é um desafi o constante. Neste caso, é necessário que o docente exercite sua criatividade e habilidade com os jovens.

 

Atividades complementares podem reduzir custo por meio da flexibilização curricular

Com todo seu potencial de levar os estudantes à prática e criar uma cultura de participação dos estudantes em sua própria formação, a aplicação adequada das atividades complementares já é um grande passo para a melhoria da competitividade e da qualidade de uma instituição. Alinhada a uma política que promove uma alteração sistêmica na gestão, pode ter papel fundamental também na redução de custos, o que se refl ete no poder de investimentos e no valor das mensalidades.

O Reimagine, programa da CM Consultoria que prevê a reformulação de 5 pilares das IES - gestão estratégica, inovação, marketing, administração financeira e custos - trata as atividades complementares como instrumento responsável por alçar o projeto pedagógico a uma cultura de inovação recorrente. "O principal desafi o dessas atividades é a elaboração e defi nição de políticas para administrá-las e comunicá-las adequadamente em sua implementação e controle.

A redução de custos é refl exo de um programa voltado para a melhoria da qualidade", revela Adriano Rogério dos Santos, assessor pedagógico da CM Consultoria.

 
Uni Sant'Anna

 

Ajudar seus alunos a colocarem
um projeto no papel e executá-lo da melhor forma possível é um desafio constante para os orientadores de atividades com-plementares

 

No Centro Universitário Sant'Anna, cada curso tem seu regulamento próprio e as
atividades são classifi cadas em três níveis: cultural, científica e de extensão. Em geral, elas são indicadas pelos professores, que contemplam programas em seu plano de ensino.

A maioria das atividades complementares é determinada pelo centro universitário. Mas a escola oferece espaço para que os alunos também dêem idéias e executem os projetos que desejam, como aconteceu com os estudantes de Relações Públicas.

Eles concluíram com a ajuda da opinião dos universitários que trabalhar com idosos, além de importante, poderia ser enriquecedor. A instituição não havia programado nenhuma atividade relacionada a pessoas de terceira idade, no entanto, a instituição os apoiou e os incentivou a desenvolverem um trabalho voltado ao assunto. "É uma dupla mão de direção. O aluno aprende por sua inquietação ou porque a escola lhe dá ferramentas. Ambas são úteis e bem-vindas", afirma Juper Crispino, diretor-geral do Uni Sant'Anna.

Na instituição, as atividades são selecionadas e estabelecidas conforme sua relevância na formação do aluno. A mesma atividade em cursos diferentes acaba tendo valores distintos. No curso de Jornalismo, por exemplo, é importante que os alunos freqüentem teatro, exposições e assistam a determinados filmes. Essas atividades têm maior peso na nota para os estudantes de Comunicação do que os alunos de Enfermagem, para os quais campanhas de saúde possuem maior relevância.

Nem sempre é necessário ir para a rua para ter boas experiências. Os alunos de Ciência da Computação do Uni Sant'Anna promovem grupos de estudos fora da aula e trabalham em cima de softwares. Por meio da curiosidade e da pesquisa, eles buscam e encontram novos conhecimentos.

Em palestras, são convidados profi ssionais de ponta, executivos, empresários, enfi m, pessoas de destaque no mercado para contar suas experiências, ensinar algo e até mesmo dar dicas de trabalho. Apesar de aparentar um mero batepapo, são atividades que sempre acrescentam na formação do aluno. "Quando o estudante teria a oportunidade de conversar e ouvir o presidente de uma Associação
Comercial, de uma organização não governamental ou de um Lions Clube em um contexto normal, fora da universidade?", comenta o diretor-geral.

"Ou o aluno aprende por sua inquietação ou porque a escola lhe oferece ferramentas. Ambas são úteis e bem-vindas", Juper Crispino, diretor-geral da Uni Sant'Anna.


Programas premiados

Na Universidade de Salvador (Unifacs), os alunos também criam projetos e participam de programas sociais. O de maior destaque é o Banco Integrado de Talentos Seniores (Bits), resultado de uma iniciativa dos estudantes de cursos da área de Informática da instituição baiana, sob a supervisão do Programa de Desenvolvimento de Organizações Carentes e Popularização do uso da Informática
(Proinfo). Em 2005, o Bits recebeu o Prêmio Telemar de melhor Projeto de Inclusão Digital do Norte Nordeste.

Em seu terceiro ano de vida, o Bits é um dos destaques da universidade. Todos os anos, os estudantes adotam uma entidade e propõem-se a promover a inclusão digital de pessoas de terceira idade. Nos dois anos anteriores, os universitários trabalharam com o Abrigo Salvador, que já tem um projeto para construção de um laboratório de informática, como resultado dos trabalhos desenvolvidos com os idosos daquela instituição.

Outro caso que vem se destacando é o Escritório Público de Arquitetura e Engenharia (Epae). Preocupados com os bairros de infra-estrutura urbana precária, os estudantes desenvolvem soluções de arquitetura e engenharia para a comunidade carente de Salvador. "O intuito é reduzir o número de desabamentos, deslizamentos de encostas e alagamentos periódicos, além de problemas de saúde pública, como a proliferação de doenças decorrentes das péssimas condições sanitárias existentes na periferia do município", explica a professora Graça Fraga Maia, pró-reitora da Unifacs.

Nessa atividade, os alunos prestam serviços e assistência técnica à população carente nas áreas da arquitetura, urbanismo, engenharia, design, materiais de construção e móveis, além de promover fóruns de debates e publicações, visando à refl exão sobre habitação popular urbana. Além de praticar responsabilidade social, os discentes adquirem novas competências. "Existe um estudo concernente à eficiência de absorção do conhecimento que é de aproximadamente 80% quando se vê, ouve, faz e experimenta. Apenas para efeito de comparação, quando apenas se vê e ouve, a eficiência cai para 50%", complementa a pró-reitora.


Autonomia

As atividades complementares também ajudam o aluno a desenvolver sua autonomia. Por meio de novas experiências acadêmicas e de relacionamento, a IES ajuda a expandir o horizonte dos alunos. Isso aumenta as possibilidades de sucesso do jovem tanto na vida profissional quanto na vida pessoal.

Para que isso ocorra na Universidade Ibirapuera (Unib), a instituição tem agido com muita pertinência em relação à programação das atividades complementares, segundo Altair Albuquerque, pró-reitora acadêmica. O colegiado de coordenação didática analisa os projetos. Aprovados, são acompanhados pelos professores de regime de tempo integral, os quais orientam, avaliam e validam as atividades realizadas pelos alunos.

"Com as atividades complementares, o aluno fica mais sintonizado com a profissão que escolheu estudar. Fica mais sensível ao belo e às artes; torna-se mais curioso, mais ativo e mais integrado", ressalta Altair.

A professora diz ainda que as atividades propiciam socializar conhecimentos, partilhar experiências, vivenciar outras realidades e trazer tudo isso para o espaço da sala de aula.

Os resultados para o universitário são de crescimento como futuros profissionais e como cidadãos, mais éticos, mais integrados e com melhor aproveitamento acadêmico.

"Com as atividades complementares, o aluno fica mais sintonizado com a profissão que escolheu estudar. Fica mais sensível ao belo e às artes; torna-se mais curioso, mais ativo e mais integrado", Altair Albuquerque, pró-reitora acadêmica da Unib

 

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