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Gestão de Finanças

Opções de Financiamento

IES organizadas e com excelência administrativa possuem mais chences de obter crédito

Da Trama Comunicação


Obter recursos financeiros para uma instituição de ensino superior ainda é um desafio para a maioria dos gestores dessas instituições. O histórico não profissionalizado do setor e todo o tempo em que as escolas não eram encaradas como empresa ainda se refl etem no comportamento das organizações que possuem oferta de crédito. No entanto, investir em IES que oferecem cursos de qualidade e que possuem bom posicionamento no mercado passou a ser visto como um ótimo negócio por alguns dos principais fornecedores de capital.

Aqueles que têm uma estrutura administrativa sólida e programas pedagógicos inovadores saem na frente quando o assunto é obtenção de financiamento. As empresas que fornecem crédito têm sob seu radar os principais indicadores da
instituição. Uma IES, para se habilitar a linhas de financiamento, tem de mostrar crescimento sustentado, uma referência de qualidade de ensino e uma boa gestão administrativa e financeira, pré-requisitos básicos para que elas consigam ter visibilidade no setor. São básicos porque elas exercem uma atividade que, fundamentalmente, faz caixa a partir da cobrança de mensalidade dos alunos e os investimentos são voltados a esse objetivo.

Aqueles que têm uma estrutura administrativa sólida e programas pedagógicos inovadores saem na frente quando o assunto é obtenção de financiamento

Com base nisso, antes de correr atrás de recursos, as instituições precisam organizar muito bem todas as suas informações, tomando como alicerce uma série de indicadores importantes: a qualidade de ensino e a efi ciência da gestão acadêmica, o momento da IES em termos de números de alunos e a expectativa de crescimento
e manutenção desses alunos. Os bancos observam nas instituições três fatores
fundamentais: o próprio negócio da instituição, ou seja, a capacidade de gerar conhecimento, a habilidade administrativo-financeira para harmonizar movimentos
de curto e longo prazos no que se refere à manutenção de investimentos e o conhecimento que os gestores têm sobre o setor em que estão atuando. Todos
esses aspectos melhoram ou pioram a análise do ponto de vista financeiro.

Coletar essas informações e colocar em relatórios bem estruturados é um passo decisivo no momento de se obter crédito, e este passo não é algo que se consegue
do dia para a noite. É necessário ter um sistema de informações bem organizado, embasado nas novas tecnologias e nas técnicas modernas de administração, para
lograr sucesso nesse empreendimento. "É necessário coletar dados que descrevam todo o histórico de atuação da instituição. Com base nisso, os investidores vão poder prever quais são os caminhos possíveis para a instituição e ganhar um pouco
mais de segurança", diz Oliver Mizne, diretor da Ideal Invest.

Segundo Oliver, se houver duas instituições com o mesmo perfil, mesma qualidade e mesmo número de aluno, sai na frente a que estiver com um sistema de informações melhor organizado. "O problema acontece naquelas que possuem informações bagunçadas, cadastro desatualizado, contratos não assinados, enfim, uma gestão um pouco mais informal. Isso independe até mesmo de excelência administrativa
e capacidade de gestão, já que o setor anda passando por uma turbulência muito
grande", completa.

O planejamento da instituição e seu grau de realismo também podem contar muitos pontos a favor. A IES precisa demonstrar que está em sintonia com o mercado no qual está inserida e que sabe exatamente o que pode oferecer: quanto pode cobrar, crescer ou captar alunos. Segundo Mizne, "se um gestor quiser cobrar R$ 800 por um curso num local onde sua concorrência cobra no máximo R$ 500 e sua instituição não apresentar nenhum motivo forte para essa diferença de preço, demonstra desconhecimento do mercado".

Outro ponto importante é o grau de pró-atividade do corpo diretivo. Para não haver necessidade de "reação" deve haver a "ação", ou seja, além de conhecer os concorrentes e leválos muito a sério, as IES devem estar muito preocupadas
com o mercado e analisá-lo por meio de pesquisas e planejamentos de marketing.
"Essa é a principal observação que se faz do ponto de vista qualitativo", diz Oliver.


Ofertas

O setor bancário, há algum tempo, vem apostando no ensino superior para aumentar
sua base de clientes: oferece vantagens para abrir contas universitárias com tarifas especiais, apostando que os universitários do presente serão os principais clientes do futuro. Nesse contexto, a principal parceria que surgiu entre bancos e instituições é a possibilidade de instalações de agências dentro do campus, com atendimento voltado a alunos e comunidade interna. Apesar dessa relação estreita, o desenvolvimento de linhas específi cas de financiamento para o ensino superior ainda engatinha.

No entanto, as IES ainda podem recorrer às linhas tradicionais voltadas a pessoas jurídicas em geral. O Banco Real, por exemplo, oferece atendimento especial às instituições de ensino. "Além dos serviços tradicionais bancários como controle de folha de pagamentos, fl uxo de caixa e recebimentos, os financiamentos voltados a empresas estão disponíveis", diz Linda Murosawa, superintendente de programas
sócio-ambientais do Banco Real.. Dentre eles, o destaque é o trabalho da organização em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame - subsidiária do BNDES).

 

"Um banco pode exigir até 100% do montante total de empréstimo como garantia para sua operação. Securitizadoras
pedem de 20% a 50% de
garantias, valor que pode até ser reduzido, dependendo do histórico financeiro da instituição", Oliver Mizne, Ideal Invest.

 

Como agente fi nanceiro do BNDES, o Real é
intermediário na relação entre a IES e essa instituição financeira com a promessa de taxas competitivas, prazos longos e a possibilidade de negociar período de carência para adequá-lo ao fluxo de caixa da escola. Para recorrer a esse produto, a universidade precisa ter um projeto específi co. Em um caso de ampliação do campus, por exemplo, ela precisa apresentar seus planos, mostrar quanto vai gastar, entregar um cronograma completo, entre outras informações mais específicas. O banco vai fi car responsável por compatibilizar a solicitação com as necessidades da instituição e pode captar até 10 milhões de reais em recursos. Nessa relação, a IES vai lidar somente com a agência bancária.


Securitização é opção consolidada

Até há pouco tempo, o termo securitização de recebíveis era capaz de gerar controvérsias no meio universitário: tratava-se de uma forma de captação de recursos voltada mais a setores de commodities e signifi cava encarar de uma vez
por todas a IES como uma empresa como outra qualquer, com cobrança cada vez maior de resultados fi nanceiros. No entanto, trata-se de uma oferta de crédito relativamente barata para a maioria das instituições e, segundo especialistas, mais vantajosa que a obtenção de empréstimos bancários.

Segundo Oliver Mizne, a Ideal Invest, que já possui 90 operações de securitização voltadas ao ensino superior, uma das grandes vantagens é o prazo oferecido por securitizadoras e a flexibilidade para captar novos recursos com a criação
de novos ativos futuros, além das taxas que são exigidas. "Um banco pode exigir até 100 % do montante total de empréstimo como garantia para sua operação. Securitizadoras pedem de 20 % a 50 % de garantias, valor que pode até ser reduzido, dependendo do histórico fi nanceiro da instituição e do relacionamento que esta possui com a fornecedora do crédito", diz.

Com a inadimplência alta do setor, as securitizadoras chegaram a receber críticas pelo fato de causar um certo descontrole no recebimento da instituição sem que a mesma pudesse ter ações mais efetivas perante os alunos inadimplentes. Segundo Oliver, a crítica não procede, pois essas operações rendem relatórios mensais completos, mostrando quem não pagou, possibilitando até mesmo a contratação de escritórios especializados em cobrança para recuperar as mensalidades não recebidas. "Se o cliente quiser, podemos realizar a cobrança até o fim, utilizando todas as medidas legais. No entanto, a maioria mantém controle próprio sobre esses aspectos e não necessita mudar sua forma de trabalho em relação à inadimplência", atesta.


Por qual optar

A escolha por uma das ofertas de crédito disponíveis no mercado depende muito do poder de negociação que a instituição adquiriu durante seus anos de operação. Para especialistas, em primeiro lugar, as instituições devem verifi car se conseguem financiamento do BNDES, pois este oferece menores taxas e recursos para utilização imediata. Em segundo lugar, as novas alternativas do mercado de capitais, com instituições fi nanceiras jovens, modernizadas, eficientes e com recursos baratos. "Os fi nanciamentos tradicionais de bancos devem ser a última alternativa, mas antes de obtê-los, os clientes devem negociar com essas instituições financeiras para arrancar o máximo de vantagem que conseguirem obter no início, já que estão prestes a se submeter a diversas regras favoráveis somente ao banco", revela Oliver.

 

Antes de correr
atrás de recursos, as
instituições precisam
organizar muito bem
todas as suas informações
administrativas e
acadêmicas.

 

Segundo o executivo, essa vantagem inicial deve ser uma espécie de "patrocínio" ou "pedágio". "Os bancos querem clientes e difi cilmente vão deixar de ceder a algum pedido do gênero de uma instituição que saiba negociar". Geralmente são fundos fi nanceiros a fundo perdido, que permitem à instituição o investimento em áreas estratégicas, tornando o início do relacionamento com a organização um pouco mais vantajosa. "Mas no futuro, o banco vai lhe cobrar
de todos os lados. Por isso é uma ótima idéia estudar todas as alternativas antes de recorrer a essa", diz Mizne.


Financiamento para estudantes

Nos últimos anos, junto com o setor de ensino superior, cresceram as alternativas de financiamento voltado às pessoas físicas, ou seja, aos estudantes universitários. Atualmente, o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento
Estudantil (Fies) respondem por um pequeno percentual das vagas da instituição de
ensino. Assim, há um grande contingente de alunos que necessitam de novas ofertas.

Atualmente, as principais linhas de fi nanciamento estão em cursos de pós-graduação e MBAs, geralmente fornecidos a profi ssionais já estabelecidos no mercado de trabalho e que terão possibilidade de pagar pelos empréstimos no futuro. Além disso, são cursos caros, difi cilmente comportados pelo fluxo de caixa dos interessados, motivo pelo qual muitos graduados não correm atrás de mais formação.

Um dos produtos é oferecido pelo Banco Real, voltado a mestrados, doutorados e MBAs. O financiamento é de até 100 % do valor, com prazo de carência de 45 dias e pagamento em até 36 meses, para comportar a parcela dentro das possibilidades
de pagamento mensal do estudante. "A gente vai buscar as universidades que têm boa qualifi cação dentro das avaliações governamentais e elas ganham a vantagem de receber o valor do curso à vista, enquanto a cobrança do aluno passa a ser nossa responsabilidade", revela Linda Murasawa.

Para a graduação, uma opção existente há bastante tempo no exterior é a participação de entidades privadas no financiamento de 50 % das mensalidades
dos estudantes, ou seja, o aluno paga suas mensalidades no dobro do tempo de seu
curso. Nesse modelo, as taxas de juros para o aluno são baixas, pois a universidade
se propõe a subsidiar parte deles e toda a negociação é realizada da forma mais simples possível, sem preocupação com Selic, inflação e outros indicadores.

Segundo Oliver Mizne, a Ideal Invest deverá ser a pioneira no fornecimento desse tipo de produto no Brasil, com taxas de juros para o aluno de até 3 % ao ano, mais barato que o próprio Fies. "Nesse caso, a instituição tem a garantia de receber, na data de vencimento, 100 % do que o aluno pagaria e a responsabilidade de cobrança passa a ser nossa. Antes do início da operação, ela deve depositar 10 % do valor da mensalidade como caução, mas depois ela vai receber de volta 50 % do lucro do programa. Além da garantia de recebimento, a operação pode até render lucros para a instituição", atesta.

"Além dos serviços tradicionais bancários como controle de folha de pagamentos, fluxo de caixa e recebimentos, os financiamentos voltados a empresas estão disponíveis para IES", Linda Murosawa, superintendente
de programas sócioambientais do Banco Real

 

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