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Recursos Humanos

Empreendedorismo interno

Nova cultura empresarial pode melhorar desempenho de instituições de ensino.
Desenvolvimento depende de vontade política dos proprietários

"Sabemos que as empresas são microculturas artificiais, definidas pelos responsáveis por sua direção. Se a cultura for de liberdade, estímulo à criatividade e espaço para que todos expressem suas opiniões, o primeiro passo para a obtenção de um caso bem-sucedido de intra-empreendedorismo foi tomado", Eugênio Mussak, especialista em educação corporativa

Da Trama Comunicação

O empreendedorismo empresarial, que teoricamente pode ser praticado por qualquer funcionário dentro de uma empresa, é uma das características mais desejadas pelas organizações que procuram a modernidade nas relações entre seus funcionários para obter competitividade. No entanto, para montar equipes que tenham esse perfil, é necessário introduzir na empresa uma cultura que deve ser criada a partir dos principais gestores.

"Sabemos que as empresas são microculturas artificiais, definidas pelos responsáveis por sua direção. Se a cultura for de liberdade, estímulo à criatividade e espaço para que todos expressem suas opiniões, o primeiro passo para a obtenção de um caso bem-sucedido de intra-empreendedorismo foi tomado", afirma Eugênio Mussak, especialista em educação corporativa e presidente da consultoria Sapiens Sapiens.

A liberdade defendida pelo consultor também significa espaço para ação e a permissão para errar quando a idéia for tomar atitudes inovadoras. "As pessoas erram por dois motivos: ou porque não estão preparadas para alguma atividade ou porque tentam fazer algo diferente, o que gera o chamado erro pedagógico. Este segundo tipo deve ser não só tolerado, mas estimulado, pois é por tentativas que se encontram novos caminhos", completa Mussak.

O ambiente para favorecer o empreendedorismo deve também estar bem dotado de uma eficiente ecologia empresarial, na qual os departamentos se integram, para que os funcionários tenham uma visão global do negócio. "Assim, cada departamento deve se ver como uma empresa, para que todos se posicionem como clientes internos um dos outros. Uma pergunta importante que todos deveriam se fazer é: se seu cliente interno pudesse optar entre trabalhar com você ou com outra empresa, qual opção ele faria?", afirma Joacir Martinelli, diretor da Duomo Consultoria.

Martinelli ainda ressalta que, quando idéias e iniciativas surgem, é muito importante envolver o profissional empreendedor no desenvolvimento delas, mantendo assim o estímulo a esse comportamento. "A abertura às idéias deve ser realizada de todas as maneiras, desde a caixinha de sugestões, até ações específicas de endomarketing", assinala.


Seleção e treinamento

Mudar a cultura não basta. O estímulo para que os funcionários exerçam o empreendedorismo interno depende muito dos esforços do setor de Recursos Humanos em escolher os funcionários certos e promover desenvolvimentos das pessoas. O departamento deve traçar estratégias adequadas de treinamento, educação corporativa e capacitação. Segundo Joacir Martinelli, o empreendedor é aquele que, independentemente da área, tem grande capacidade de realização e potencial para concretizar suas idéias.

"Antes de formar funcionários, o mais importante é selecioná-los de acordo com o perfil. A Organização das Nações Unidas (ONU) contratou a universidade Harvard para fazer um levantamento em três continentes e descobriu que esses empreendedores têm um perfil comum. Ele foi organizado a partir de dez características (veja quadro), sobre as quais se podem desenvolver treinamentos", afirma Martinelli.

Os especialistas ouvidos pela @prender foram categóricos sobre o ensino de empreendedorismo nas escolas: o Brasil avançou pouco nesse campo. Segundo Eugênio Mussak, os conceitos deveriam ser ensinados desde o primeiro ano do ensino fundamental, porque não só as empresas precisam de empreendedores, mas a sociedade os necessita, uma vez que não haverá emprego para todos. "No ensino superior, o estímulo desse perfil empreendedor ainda engatinha, mas algumas escolas já estimulam por meio de trabalhos de conclusão de curso voltados ao empreendedorismo, embora ainda não tenham uma disciplina específica", diz.

Para Marcos Hashimoto, sócio-diretor da Lebre Consulting e professor da FGV e da Business School São Paulo, as escolas são boas para dar fundamentos teóricos, mas não sabem como ensinar os alunos a assumirem riscos, desenvolverem iniciativas e darem vazão à sua criatividade.


Empreendedorismo em IES

Se o ensino do comportamento empreendedor engatinha, essa cultura de estímulo ao empreendedorismo ainda está bem distante da realidade das IES, apesar de o ambiente ser propício. Segundo Joacir Martinelli, as instituições de ensino vivem um grande conflito e precisam achar um equilíbrio, porque elas existem em um meio de competição predatória e, às vezes, perdem-se no foco, que deveria ser gerar educação. "Para desenvolver as equipes, é necessário retomar o foco, fortalecer times de professores e de profissionais que atuam em funções não relacionadas à parte pedagógica, além de planejamento estratégico que busque esse desenvolvimento", afirma o consultor.

Martinelli acredita que a IES tem muito a ganhar com empreendedorismo: além de se tornar uma empresa mais competitiva, ganharia em criatividade, na exploração das novas fontes de aprendizagem e na criação de novas metodologias que atingissem mais eficientemente as novas necessidades do mercado por meio de uma gestão mais
participativa.

Para Eugênio Mussak, a primeira exigência é a de que haja vontade política de quem controla a instituição, pois muitos querem somente pessoas que obedeçam. "Em segundo lugar, é necessário partir para a realidade, não ficar só na intenção. Discurso não pode ser dissociado da prática. Para que as pessoas percebam que estão no mesmo barco, os chefes devem ser empreendedores e estar receptivos às ações empreendedoras", diz.

O consultor acredita ainda que toda essa estrutura está muito fortemente ligada à questão da comunicação interna. "Uma das grandes queixas existentes em empresas é de que ninguém sabe o que o chefe pensa, porque as decisões são tomadas e desconhecem a estratégia de uma forma geral. A informação deve fluir para que as pessoas tenham subsídio para ser criativas de acordo com o foco da instituição", afirma Mussak.

Marcos Hashimoto teve uma experiência muito próxima sobre o que acontece quando a instituição oferece oportunidade para empreender. Em 2002, na primeira faculdade em que trabalhava como professor, teve a idéia de desenvolver um MBA em Administração nos moldes de outro curso que ele mesmo havia freqüentado como aluno. O coordenador deu carta branca para a definição de carga horária, grade curricular, disciplinas, contratação de professores, definição de perfil de aluno e o que seria o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). "O curso foi tão bem-sucedido, que ficamos entre os melhores MBAs brasileiros segundo o principal ranking do gênero no Brasil", revela.

Posteriormente, Hashimoto montou um curso em Sorocaba, especificamente para empreendedorismo. "Essa experiência ajudou-me a entender profundamente o que é estimular e dar vazão ao comportamento empreendedor e possibilitou-me desenvolver novos trabalhos nessa área", conclui.

Dez características empreendedoras da
Organização das Nações Unidas (ONU)

  • Busca de oportunidade e iniciativa (se antecipar aos fatos e criar novas oportunidades de negócios);
  • persistência (enfrentar os obstáculos decididamente);
  • correr riscos calculados (assumir desafios ou riscos moderados e responder pessoalmente por eles);
  • exigência de qualidade e eficiência (decisão de fazer sempre as expectativas de prazos e padrões de qualidade);
  • comprometimento (com o cliente e com o próprio empresário);
  • busca de informações (busca pessoalmente, consulta especialistas);
  • estabelecimento de metas (estabelece metas de curto prazo mensuráveis); planejamento e monitoramento sistemáticos (projeta e aprende a acompanhá-lo sistematicamente a fim de atingir as metas a que se propôs);
  • persuasão e rede de contatos (saber persuadir e utilizar sua rede de contatos; atua para desenvolver
e manter relações comerciais);
• independência e autoconfiança (busca autonomia em relação a normas e procedimentos para alcançar o sucesso).

 

 

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