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Revista 34 - Jan/Fev 2007

Projetos sociais transformam instituições

Colaborar com a sociedade, missão intrínseca das IES, influencia  positivamente o ensino, a pesquisa, os envolvidos na execução das ações e as comunidades atendidas

Por Trama Comunicação 

Todas as instituições de educação superior, independentemente de sua categoria jurídica, são, antes de tudo, organizações a serviço da sociedade, seja pelo compromisso de formar alunos para a cidadania e para o mercado de trabalho, seja pela necessidade de oferecer uma contrapartida para a comunidade que a abriga.

Hoje, a necessidade de realizar trabalhos de responsabilidade social não está só na natureza da IES, como também é uma das dimensões obrigatórias do Sistema Nacional de Avaliação de Ensino Superior (Sinaes). Com a reafirmação desse dever no principal mecanismo brasileiro de avaliação do ensino superior, torna-se ainda mais indiscutível a necessidade de implementar programas sérios perante a comunidade.

Segundo especialistas, os melhores projetos são aqueles que alinham transversalmente diversas ações e concentram-se na região onde a IES está situada. A implementação de programas pulverizados, muito comum no Brasil, pode ser ineficaz por não transformar, na prática, nenhum dos grupos atendidos. E um dos objetivos previstos no planejamento dos projetos deve ser o de realizar uma verdadeira transformação social, focando em uma comunidade específica e em resultados, como elevação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Segundo o professor Carlos Monteiro, diretor presidente da CM Consultoria, as ações sociais também têm o papel de aproximar a comunidade da instituição, criando laços em que a tendência é de colaboração recíproca e fortalecimento da imagem. "Além disso, poucas IES utilizam o potencial dos projetos de reforçar a parte pedagógica, com o envolvimento dos alunos em situações em que coloquem em prática seu aprendizado e colaborem com o desenvolvimento de sua cidadania", afirma.

A primeira edição de 2007 da @prender expõe idéias de alguns especialistas do setor, destaca alguns cases que fazem a diferença nas escolas e nas comunidades onde são aplicados e reafirmam a função das IES, que lhes é atribuída por lei, pela população e pela própria natureza da atividade educacional.

Benefício para todos

Ações voltadas ao bem da comunidade têm potencial para se transformarem em PPP, gerando ganhos para todos os envolvidos

Embora os trabalhos voltados à população em geral já estejam previstos como uma das premissas das organizações responsáveis pelo ensino superior, ligados ao tripé, que também inclui o ensino e a pesquisa, não é a maioria das instituições que se dedica a ações sérias, assumindo a responsabilidade de desenvolver projetos sociais que caberiam ao governo, mas que este não consegue cumprir.

Segundo o professor Paulo Cardim, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu) e reitor do Centro Universitário Belas Artes (SP), em muitos lugares os estabelecimentos de ensino preenchem lacunas deixadas pelo poder público e somente agora o governo está entendendo que pode fazer de cada projeto uma Parceria Público-Privada (PPP), enxergando a capacidade do ensino particular.

Com isso, não existe melhor momento na sociedade para que todas as organizações assumam sua missão social e realizem efetiva prestação de serviços à comunidade. "Essas experiências têm duplo resultado. O principal deles é a satisfação dos alunos, professores e funcionários quando se vêem envolvidos em projetos sérios, voltados à melhoria da vida de um grupo de pessoas, sem cunho político. Estes se mostram cada vez mais dispostos  ao voluntariado na medida em que a responsabilidade social avança. O segundo resultado é a realização do empresário educador ao cumprir com essa obrigação", assinala Paulo Cardim.

Para ter sentido, o projeto social precisa estar alinhado às necessidades locais, assim se conquista o real comprometimento dos envolvidos. Se os alunos pertencerem à mesma região, terão disposição para colaborar, pois poderão ter seu ambiente ou seus familiares diretamente beneficiados pelo atendimento. "A idéia também deve ser a de tirar as pessoas da passividade e reunir a comunidade em  busca de uma mudança e novas perspectivas. Deve ser baseada em valores éticos, solidários e de cooperação. Em suma, deve ter como essência a tentativa de se realizar uma profunda transformação da população atendida, bem como o incremento de sua cidadania", afirma Lourdes Alves de Souza, técnica de desenvolvimento social do Senac São Paulo.

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Abmes reforça missão de IES com projeto de responsabilidade social

Para mostrar que as IES se preocupam seriamente com a questão da responsabilidade social e que a livre-iniciativa na educação se reverte em benefícios à sociedade, a Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (Abmes) promove anualmente o dia da responsabilidade social no ensino superior particular, projeto que ganhou o nome de "Ensino Responsável" no ano passado, contando com o apoio da CM Consultoria. Durante esse dia, as instituições expõem seus projetos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão.

Segundo a direção da Abmes, o objetivo é divulgar essas atividades de forma intensiva, para que a sociedade saiba da profundidade dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos há muitos anos.

Somente no evento realizado no ano passado, a organização recebeu o cadastro de projetos de 398 IES, localizadas em 24 estados mais o Distrito Federal. Foram realizadas 2.950 atividades, envolvendo mais de 10 mil professores, 80 mil alunos e 6 mil técnicos. Todas essas pessoas foram responsáveis por mais de 510 mil atendimentos à comunidade.

"É muito importante que todas as IES façam parte desse grandioso evento para mostrar a todos a enorme importância de seu papel transformador da sociedade. Por esse motivo, a CM apóia o evento", afirma o professor Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria.

Isso não significa, no entanto, que o projeto precisa ter necessariamente grande complexidade. Instituições podem usar seu poder de articulação para desenvolver ações de baixo custo, com grande possibilidade de causar impacto em seu meio. "Iniciativas simples, como a formação de grupos de teatros, coordenação de campanha para doação de sangue, elaboração do currículo e orientação jurídica em IES que possuem cursos de Direito dependem de bastante trabalho, mas não demandam grandes investimentos para trazer benefícios para a população e para a IES. Assim, escolas em fase de desenvolvimento da imagem iniciam a construção de uma marca forte", afirma Duda Lima, publicitário da agência RP Propaganda.

Embora fortaleça e multiplique as oportunidades para realizar marketing, esse não deve ser o primeiro objetivo de um programa voltado à população. O trabalho de fortalecimento virá como conseqüência de um planejamento visando ao bem da comunidade. "Quando alinhado a estratégias de marketing, o projeto social perde o caráter de ser algo baseado em voluntariado e em compromisso das pessoas. Passa a ser encarado como obrigação, o que não gera resultados. Ele deve ser induzido, proposto e aplicado com excelência, após o convencimento das pessoas envolvidas", diz Paulo Cardim.

O ganho de imagem também acontece porque a ação na sociedade é outra forma de a IES cumprir sua missão educacional. Isso acontece em ações que não são meramente assistencialistas, mas que contribuem para a formação da cidadania das pessoas, que passam a ser capazes de resolver seus problemas sozinhas. "Temos um projeto que busca articular a sociedade para resolver questões regionais por meio da ação, sem esperar que um herói apareça para resolvê-los. É um processo de mudança de valores da população que promove um grande fortalecimento de laços da instituição com todos os envolvidos", afirma Lourdes Alves de Souza.

Projetos desse tipo aproximam o estabelecimento de ensino não só da população, mas também das autoridades nos mais diversos níveis. O Centro Universitário Mauá, por exemplo, faz parceria com a prefeitura de São Caetano do Sul em um programa de alfabetização de jovens e adultos e avalia que teve como principal retorno para a IES uma relação de confiança com o Departamento de Educação e Cultura. "A administração municipal, principalmente o setor de educação, sempre prestigia muito a Mauá", revela Otávio Matos Silvares, reitor da instituição.

Trabalho social x projeto Pedagógico

Para especialistas, ações voltadas à comunidade têm mais sentido se vinculadas ao planejamento pedagógico

A idéia do tripé composto por ensino, pesquisa e extensão inclui a integração dessas atividades, de forma a maximizar as experiências e ganhos da instituição no que diz respeito à geração do conhecimento. Alinhar boas ações sociais com a parte acadêmica surte excelentes resultados para todos os lados: a IES oferece atividades complementares que qualificam o aluno em sua área profissional; o estudante, além de colocar seus conhecimentos em prática, ganha uma consciência cidadã e responsável; e a sociedade recebe o benefício das ações.

Segundo Paulo Cardim, "um projeto social só tem sentido se estiver vinculado a um planejamento pedagógico e ao voluntariado. O empresário educador deve envolver professores, docentes e o próprio governo para que as ações sejam sérias e expanda a cultura da divisão de responsabilidades na sociedade", afirma.

Os estudantes podem ser envolvidos de diversas formas: podem optar por uma atividade para complementar o currículo, participar de algum núcleo de ação com bolsa na universidade ou até mesmo participar como voluntário para ajudar em uma causa e colocar em prática o que aprende nas cadeiras da instituição.

No Centro Universitário da FEI, todos os discentes cursam uma disciplina de ciências sociais, em que é solicitada ao aluno a realização de um trabalho com uma organização filantrópica, para levantar os problemas e propor soluções. "Muitos estudantes acabam se vinculando e dão continuidade como voluntários na organização que visitou.Não se trata necessariamente de ações práticas, mas de provocar alguns valores, como a solidariedade", afirma a professora Rivana Basso Fabbri Marino, vice-reitora de extensão e atividades comunitárias. A FEI também possui projetos práticos, com destaque para uma incubadora de microempresas que visa ao desenvolvimento dessa categoria empresarial na região. "Nossa filosofia não é a de projetos sociais assistencialistas, mas colocar o conhecimento gerado à disposição da sociedade para que ela se desenvolva, e isso só se faz com a participação de alunos", diz a professora.

A Faculdade São Luís, que tem tradição filantrópica, tem um pouco mais de dificuldade de incluir os discentes nesse processo, uma vez que são estudantes que trabalham o dia inteiro e estudam à noite, realidade comum no ensino. Mesmo assim, a instituição desenvolveu o Núcleo de Estudos sobre a Pobreza (Nepo), que busca levantar origem de problemas sociais e propor soluções. "Temos jovens nessa atividade de extensão fazendo seus trabalhos de iniciação científica dentro do núcleo", afirma Wagner Lopes Sanches, vice-diretor da faculdade. Além disso, a IES também planeja desenvolver outras atividades práticas, começando em comunidades pobres da Via Anhanguera.

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Responsabilidade social não se pratica só com projetos

Atualmente, o conceito de responsabilidade social nas empresas não se traduz somente em ações externas. Todo o comportamento da empresa precisa estar atrelado à ética e ao respeito de alguns princípios, como respeito ao meio ambiente, às diferenças entre funcionários e uma série de outras variáveis. Esse comportamento organizacional é considerado fundamental também para que haja harmonia dentro da organização e a atmosfera, marcada pela ética, pelo respeito e por outros valores capazes de conquistar pessoas.

O exemplo desse tipo de cultura em uma instituição pode ser tirado de organizações não voltadas à educação, como o Banco Real, companhia com mais de 11 milhões de clientes no Brasil e ótimos resultados financeiros. Preocupado em criar um modelo de negócios voltado à sustentabilidade, o banco estabeleceu como filosofia a busca pelo lucro, mas não a qualquer preço. Segundo Miguel Dantas, consultor de sustentabilidade do banco, a idéia baseia-se na integração de dimensões sociais e ambientais em todas as decisões, visando à qualidade de vida, às pessoas e à preservação do meio ambiente.

Assim, além da qualidade dos produtos e serviços oferecidos, o banco aposta em sua postura ética como diferencial para os clientes e o mercado. Isso acontece desde a utilização de papel reciclado até uma seleção minuciosa de parceiros e fornecedores, que devem estar de acordo com os mesmos princípios.

Com pequenos cuidados como esses, é possível criar uma corrente positiva na sociedade, tentando instaurar a mesma preocupação em todos os setores econômicos. Estimular estudantes a incorporar essa cultura passa por aplicá-la dentro da própria IES. "Somando projetos voltados à comunidade, excelência em serviços educacionais e atuação socialmente responsável, a instituição só tem a crescer e se fortalecer", atesta Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria".

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Envolvimento de alunos gera identidade

Além de intensificar as ações sociais, o envolvimento de alunos é uma maneira de fortalecer os laços dos estudantes com a instituição, por meio de experiências que ficam na memória. Ao participar de um projeto sério e bem- sucedido e sentir que fez a diferença, o estudante cresce como ser humano e saberá dar valor à IES que propiciou essa oportunidade.

Segundo Rivana Basso, ao participar de programas na comunidade, o discente envolve- se muito mais com a escola fora da sala de aula e passa a entender melhor o que ela representa para seu entorno. "Ele passa a ver a IES não apenas como fonte de aulas, mas como parte de seu cotidiano. Reconhece também a importância de seu trabalho para sua vida e o papel que a organização tem com as comunidades interna e externa", diz.

Para Lourdes Alves, do Senac, o envolvimento de alunos é ainda mais efetivo quando relacionado a problemas cuja conseqüência é sentida, direta ou indiretamente, por eles. "A motivação é maior quando um determinado projeto é voltado para a melhoria da qualidade de vida onde o estudante vive.

Beneficiados em sua cidadania e em seu meio, os laços com a instituição saem ainda mais fortalecidos", afirma.

Casos de sucesso

IES inovam ao implementar projetos sociais que não se prendem ao caráter assistencialista

A implementação de projetos sociais é uma tarefa que demanda trabalho, compromisso da instituição e fortes lideranças que garantam sua continuidade. Em IES grandes e com mais de uma unidade, os projetos costumam ser maiores, mas as pequenas também podem utilizar seu conhecimento para articular seus alunos, funcionários e sociedade em busca de um bem comum. A Revista @prender levantou alguns casos bem-sucedidos de ações que podem servir de inspiração para as organizações de ensino que planejam iniciar ou fortalecer suas atividades na área.

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Senac São Paulo aposta em projetos de melhoria social e educação da população

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de São Paulo criou uma rede social, visando à melhoria das regiões onde suas unidades estão instaladas. O trabalho envolve uma articulação entre os atores que participam da rede, identificam problemas, levantam soluções e iniciam a ação.

A organização conta com o envolvimento de alunos em alguns projetos, sendo Catanduva a sede de uma das experiências mais emblemáticas. No local, estudantes da área de educação ambiental realizam seu trabalho de finalização do curso sobre um problema real da região. Na atividade, eles fazem levantamento do que pode ser realizado em termos de melhoria do meio ambiente e organizam as ações necessárias para colocar o planejamento em prática. "Um dos bairros atendidos tinha problemas de córrego poluído e infestado de ratos e baratas, causado pela própria população, que lançava resíduos dentro dele. Com o levantamento de nossos alunos, foi iniciada uma ação local que envolveu esforços para despoluir o córrego e conscientização dos habitantes", conta Lourdes Alves de Souza, técnica de desenvolvimento social do Senac São Paulo. A principal característica do projeto é o envolvimento da população local e um trabalho em prol da comunidade feito de maneira horizontal, cujo objetivo é não somente solucionar um problema, mas também educar a população, para que ele não retorne. "O Senac também se desenvolve com esse processo, pois fica muito mais forte institucionalmente", completa Lourdes.

O objetivo de zerar a taxa de analfabetismo, que poderia ser considerado bastante ambicioso, não está muito distante de ser atingido. Mais de 2.500 adultos foram alfabetizados e restam pouco mais de mil adultos para que a meta seja cumprida.

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FEI mantém incubadora de empresas e projeto de capacitação profissional

O Centro Universitário da FEI é uma das principais instituições da região do ABC, na grande São Paulo, e sua origem é de organizações filantrópicas. Os projetos sociais, há tempos, fazem parte da atuação da IES, mas um deles é inovador ao contribuir para o desenvolvimento regional por meio de apoio ao microempresário. Hoje, o carro-chefe do setor social da FEI é a incubadora de microempresas, uma organização voltada a prestar todo o apoio a pessoas que têm boas idéias para implementação de um negócio, desde a elaboração, planejamento, parte administrativa, até avaliação do custo, preço e mercado. Enfim, tudo o que é necessário para um negócio se tornar sustentado.

Participam da incubadora alunos e professores do curso de Administração de Empresas. "Entendemos que um bom projeto social coloca o conhecimento gerado na instituição a serviço da sociedade", revela a professora Rivana Basso Fabbri Marino, vice-reitora de extensão e atividades comunitárias.

Outro projeto trabalhado na IES visa à inclusão digital da população por meio do ensino da informática básica, aproveitando o potencial dos docentes de Engenharia e Ciência da Computação que têm esses conhecimentos. O objetivo é uma requalificação básica para o mercado de trabalho, oferecida por meio de uma ONG local. "Os estudantes que participam são bolsistas e acabam complementando sua formação integral com esse tipo de contato. É uma ação de extrema importância para a FEI", afirma a professora Rivana.
Outra inovação é a inclusão de uma disciplina de ciências sociais, na qual os alunos são estimulados a escolher uma organização filantrópica e realizar propostas para sua melhoria. "Alguns discentes acabam se vinculando formalmente à instituição escolhida para aplicar o resultado de seu trabalho. É uma experiência muito enriquecedora", completa a vice-reitora.

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Alfabetização de adultos é foco da Mauá

São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, município com um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, tinha, em 1999, cerca de 3.800 adultos analfabetos. Nessa época, o Centro Universitário Mauá e a prefeitura da cidade assinaram convênio com uma meta: erradicar totalmente o analfabetismo local. Embora  não possua cursos de licenciatura, pois o foco da instituição são cursos de Engenharia e Administração, a Mauá acreditou que seria possível vencer o desafio somando dedicação de discentes, utilização de espaço público e investimento da IES. O projeto foi batizado de "ProAlfa" e iniciou-se com 450 adultos que se inscreveram no programa.

No processo, a prefeitura seleciona os alfabetizadores entre os discentes da Mauá e fornece-lhes treinamento. "Os alunos ganham uma formação melhor ao manter contato com essa realidade e os adultos têm apoio qualificado para superar essa realidade. Os atendidos vão desde jovens de 18 anos de idade até pessoas com mais de 80 anos, assim como trabalhadores de serviços não muito qualificados", afirma Otávio Matos Silvares, reitor da IES.

Os estudantes do projeto também participam de eventos da Mauá, como na semana da Eureka, em que ocorre a apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos graduandos da instituição. "Eles são orientados por nossos alunos, montam estandes e apresentam trabalhos sobre temas relacionados ao meio ambiente. É um grande momento para os alfabetizandos", completa Matos Silvares.

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São Luís investe em núcleo de estudos que busca soluções para a sociedade

Agir contra problemas sociais depende de um estudo prévio e qualificado sobre eles. É necessário entender o histórico que levou à determinada situação e suas causas. É com esse objetivo que a Faculdade São Luís criou o Núcleo de Estudos sobre a Pobreza (Nepo) que tem desenvolvido pesquisas de relevância científica e social, com base nos princípios do trabalho acadêmico.

O resultado das atividades é publicado periodicamente na revista interna do núcleo (Pensamento e Realidade) em forma de artigos e divulgado constantemente em palestras, debates e seminários sobre os assuntos estudados. O núcleo conta com professores pesquisadores e alunos bolsistas que se dedicam às pesquisas.

No campo da ação, a faculdade está iniciando um programa nas comunidades pobres de Anhanguera, na cidade de São Paulo, e faz parte de uma associação que reúne 29 IES jesuítas presentes na América Latina e no Caribe. "A filantropia está intrínseca em nossa missão tanto pelo caráter da IES quanto pela própria legislação, que coloca a extensão como uma das atividades principais das instituições de ensino. Por isso que, além desses projetos e dos cursos noturnos para atender trabalhadores, 33% de nossa receita é destinada a bolsas filantrópicas para estudantes carentes", afirma o vice-diretor Wagner Lopes Sanches.

Deficientes auditivos ganham espaço na Faculdade de Natal

Uma IES socialmente responsável preocupa se em, além de enfrentar problemas da sociedade, realizar a inclusão de pessoas com poucas oportunidades em função de alguma necessidade especial. Desde julho do ano passado, o Curso Tecnológico de Banco de Dados da Faculdade de Natal (FAL) conta com a presença de nove alunos portadores de deficiência auditiva, que estão na instituição como extensionistas, mas que neste ano já começam como discentes de graduação do curso de Sistemas de Informação. Enquanto isso, freqüentam a disciplina de "Fundamentos de Banco de Dados" com os demais estudantes que não têm qualquer tipo de deficiência. Assim, os estudantes especiais não por sua deficiência, mas pela perseverança com que lutam por seus direitos, serão, pela primeira vez, universitários, e terão oportunidade de realizar o sonho profissional.

A idéia de inserir pessoas com deficiência auditiva nas turmas da FAL surgiu a partir dos pais de alunos surdos, que viam que seus filhos tinham vontade de freqüentar os bancos de uma faculdade só que não tinham oportunidade. Em uma conversa com a direção da faculdade, foi decidida a contratação de um professor de Libras (linguagem usada pelos deficientes auditivos para se comunicar) para facilitar o processo.

Segundo o professor Kleber Tavares Fernandes, coordenador dos cursos de Banco de Dados e Sistemas de Informação, as vagas para deficientes tiveram grande procura, situação resultante da alta demanda que existe. "Foi muito importante o contato com o Suvag e a Corde, instituições não-governamentais que apóiam essas pessoas. A limitação dos deficientes é transposta pela dedicação e pelo trabalho que o tradutor vem desenvolvendo, além da ajuda dos colegas, do professor e slides que são disponibilizados ao final da aula", comenta.

Ibirapuera assume ação social como uma das principais missões da instituição

Fundada em 1969, a Universidade Ibirapuera estabeleceu, desde o início de suas atividades, que uma de suas missões principais seria o de colaborar com o desenvolvimento das comunidades próximas por meio de projetos sociais intimamente ligados aos programas pedagógicos, servindo tanto como campos de pesquisa e extensão para seus alunos como para o preenchimento de lacunas deixadas pelo poder público no atendimento à população.

Segundo Fabiola Andrea Chofard Adami, gerente jurídica da Ibirapuera, o objetivo é intervir na realidade social do entorno, utilizando capital humano dos alunos, corpo docente e voluntariado. "Há uma população carente presente em escolas de estado e em comunidades próximas, alguns vindos de favelas, que são diretamente atendidos. Muitos dos atendimentos são realizados por meio de convênios e parcerias com órgãos públicos e regionais das prefeituras, o que só reforça a relevância do trabalho", afirma Fabíola.

Dentre os projetos, destacam-se a assistência jurídica gratuita ao cidadão e clínicas nas áreas de fisioterapia, odontologia, enfermagem e psicologia. Por meio destes projetos e outras ações de cidadania, principalmente aquelas relacionadas ao curso de educação física, foram realizados, somente em 2005, cerca de 19 mil procedimentos.

"Nossas clínicas têm sido bastante procuradas pela comunidade e por associações sem fins lucrativos para o estabelecimento de parcerias. Em 2005, a clínica de odontologia foi considerada modelo de excelência pela vigilância sanitária do município de São Paulo, o que suscitou a assinatura de um convênio entra a Coordenadoria de Saúde Bucal e o curso em questão para capacitação de todos os cirurgiões dentistas da cidade nas mais diversas áreas", afirma.

Fabíola destaca que o principal retorno que a instituição pode obter é a satisfação de colaborar para a construção de uma comunidade mais justa, oferecendo esse ambiente aos alunos, funcionários e comunidade em geral. "Além disso, vemos a transformação de nossos alunos e funcionários nesse processo, pois eles realmente se engajam nas ações e absorvem valores éticos mais fortes. Entendo que a finalidade de toda escola é desempenhar esse papel social para ajudar a transformar a sociedade. Se cada um plantar uma semente, logo você tem uma sociedade com outra visão, mais respeitosa, colaborativa e com espírito de cidadania", completa.

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