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Gestão de Cursos

EAD: construindo o novo horizonte do ensino superior

Pesquisa aponta as práticas das instituições que consolidam o EAD como modelo de negócios viável e lucrativo

 Por Cyntia Braga

O processo de democratização do ensino superior demanda novos modelos e técnicas para atingir públicos sem acesso à tradicional "aula presencial". Seja por questões de mobilidade - o Ensino a Distância tem um enorme potencial perante a população portadora de deficiências físicas ou residente em regiões de baixa densidade demográfica -, seja por razões de tempo, o EAD vem crescendo exponencialmente em todo o Brasil. A última edição da @prender (novembro/dezembro de 2006) destacou, em sua matéria de capa, alguns detalhes do crescimento e como o mercado vem se estabelecendo no País. Nesta edição, publicaremos um levantamento* que detalha o modelo pedagógico e de negócios de alguns dos principais players do EAD.

Evolução e descentralização de modelos

Em pouco mais de dez anos, a diversificação em todos os níveis tomou conta do setor. Novas  tecnologias, diferentes metodologias, modernas formas de interação com o aluno, materiais didáticos de apoio de alto nível, abordagens pedagógicas customizadas e modelos de gestão profissionais estão revolucionando o cenário educacional do Brasil.

Um estudo realizado pela Unisul Virtual agrupa didaticamente os modelos de negócios do setor em quatro segmentos distintos:

1. IES públicas, federais e estaduais, que oferecem ensino gratuito

No segmento das IES públicas, a metodologia básica utilizada segue duas vertentes: modelos semi-presenciais para regiões de baixa inclusão digital e modelos mais avançados para conectividade por sistemas de videoconferência e tutorias on-line, para regiões com maior facilidade de acesso banda larga à internet. Os cursos oferecidos por estas IES, em sua grande maioria, são os de Administração, Matemática, Física, Pedagogia, Biologia e cursos de graduação tecnológica na área de Tecnologia da Informação. Este segmento específico retém entre mil e 5 mil alunos por instituição.

2. IES focadas nas classes A e B e no setor corporativo

 No segmento das IES que atendem às classes A e B, mais o atendimento corporativo, a realidade é um pouco diversa. Atuando com modelos metodológicos mais modernos, instituições como FGV, PUC e até a Unisul Virtual, que se encaixa neste segmento, oferecem cursos de graduação e pós-graduação, quase que 100% on-line (com exceção para os momentos presenciais de aplicação das avaliações individuais), por meio de sistemas via internet ou por videoconferência.

3. IES focadas nas classes C e D

 No terceiro segmento citado no estudo, encontram-se as IES que atendem às classes C e D, e que oferecem basicamente cursos com relacionamento presencial com o aluno, com a replicação de aulas pré-gravadas em vídeo ou DVD, para salas remotas espalhadas por todo o País. Em outras, ainda, o mesmo modelo de distribuição, pelas salas remotas, com a diferença de se assistir à aula ao vivo, via satélite. A diferença deste segmento para o anterior é que a tutoria com o professor especialista é feita diretamente do pólo associado, com professores contratados por estas unidades franqueadas e não por professores das IES chanceladoras do curso.

4. Franquias especializadas nas classes C, D e E

O último é o citado no estudo como verdadeiramente o maior segmento em contingente de alunos. Com a metodologia básica também semipresencial, as franquias também contratam tutores para realizar o acompanhamento aos alunos durante a recepção das aulas transmitidas via satélite. Este é o grupo em que mais se concentra a demanda de professores em busca de titulação nos cursos Normal Superior e Pedagogia e no qual há a maior evasão, que pode chegar a 40% em alguns casos. Os alunos retornam ao ensino presencial por não se adaptarem ao novo modelo.

Entre as representantes do setor privado, algumas IES destacam-se pelo tamanho da operação que implementaram pelo Brasil, e pelas novas tecnologias e metodologias inovadoras que oferecem. A variedade de técnicas e mídias é bastante positiva para esse setor, sendo inclusive estimulada pelo Ministério da Educação (MEC).

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Unopar e Educon

O Brasil conta hoje com uma infinidade de metodologias de acesso ao EAD, todas ocupando seus espaços e nichos e convivendo harmoniosamente. Num país de várias culturas, conhecimentos e diferenças socioeconômicas, as tecnologias utilizadas pelo EAD têm-se mostrado eficazes para as diversas demandas existentes. "No ensino a distância, nunca deverá existir um único modelo; o ideal é que existam mesmo diferentes modelos para as diferentes necessidades do mercado. O nosso, por exemplo (teleaula com tutoria on-line), hoje representa 80% do mercado de EAD no Brasil. Esse, sem dúvida, é um modelo que deve permanecer por longo tempo", assegura Luis Carlos Borges da Silveira Filho, diretor-executivo da Educon.

Algumas IES especializaram-se, por exemplo, no atendimento à formação de professores. Com cursos de Pedagogia, Licenciaturas e Normal Superior, atingindo as classes C e D e chegando aos menores municípios do País (onde o ensino presencial não alcança) a Unopar e a Educon, ambas do Paraná, somam quase 100 mil matrículas nesse segmento. Com modelos multimídia e teleaulas geradas ao vivo em estúdios próprios, as aulas são distribuídas via satélite para os pólos associados em todo o Brasil. Nesses pólos, um tutor local recebe os alunos para os momentos presenciais. Estes tutores, além de auxiliarem alunos e professores na interatividade (as perguntas são transmitidas em tempo real por email e respondidas, ao vivo, dos estúdios), exercem também a função de orientá-los no uso de computadores e das interfaces eletrônicas. São mais de 1.500 tutores, atuando com a Educon e 321 unidades conveniadas da Unopar em 25 estados.

A Unopar é a única IES do Brasil recredenciada pelo MEC e foi a pioneira na autorização de um curso de mestrado a distância. "Trata-se do primeiro Mestrado Profissional em Tecnologias de Informação e Comunicação na Formação em EAD, fruto de uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC)", orgulha-se Elisa Maria de Assis, pró-reitora de ensino a distância.

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Unicoc e Facinter

O mercado vem absorvendo a oferta de cursos e existe espaço para novas instituições atuarem no Ensino Superior a Distância. Entre os empreendimentos mais recentes nesse campo, a Unicoc, de São Paulo, iniciou suas atividades em agosto de 2006. A Facinter, do Paraná, é outra debutante desse meio com menos de 24 meses de atividade.

As duas instituições oferecem uma grade diversificada e focada em cursos tradicionais de  graduação, bacharelados e tecnológicos. Também fazem uso das teleaulas ao vivo, seguidas de tutoria on-line. Dentro desse grupo, a Unicoc é a única a oferecer um "canal de duas mãos", em que os alunos e professores conseguem se enxergar em tempo real, mas em ambiente remoto. Diferentemente da transmissão ao vivo por satélite utilizada pelo restante do mercado, em que somente os alunos vêem o professor. "Na Unicoc, existem câmeras em todas as telesalas, com as quais é possível monitorar os alunos enquanto assistem às aulas e focalizá-los, para que, tanto o professor quanto todos os demais alunos, nas demais telesalas, vejam a pergunta sendo feita, ao vivo", explica Durval Antunes Filho, diretor da Unicoc.

Materiais didáticos minuciosamente preparados por professores especializados das próprias IES (chamados de "conteudistas"), e outros criteriosamente selecionados no mercado, complementam a metodologia destas instituições. O calendário acadêmico e o plano pedagógico são outros critérios de diferenciação. Na Unicoc, o curso é "blocado" e, a cada semestre, o aluno assiste a oito disciplinas, enquanto na Facinter o regime é semestral e o módulo abrange quatro disciplinas. Em ambas, os alunos recebem material específico para o período.

Ainda que sem tradição, as duas instituições lançaram projetos coesos e mantêm um forte esforço na captação de alunos. A Unicoc já conta com 5.600 alunos espalhados pelos quase 50 pólos de apoio em todo o Brasil, e a Facinter, com 470 pólos de apoio estruturados e nove mil alunos no EAD, somente no curso Normal Superior.

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Unisul

A única representante brasileira do ensino a distância 100% on-line, o e-learning, sem aulas gravadas, sem telesalas, com o estudo realizado pelo aluno exclusivamente via internet, a Unisul Virtual, de Santa Catarina, é hoje a instituição com maior número de cursos de graduação a distância do Brasil. Sua metodologia de ensino prioriza o contato permanente do aluno com os professores da universidade por meio das tutorias síncronas e assíncronas. Materiais didáticos impressos são enviados para a residência do aluno periodicamente, de acordo com as diferentes grades de programação e antes do início de cada módulo. Os únicos momentos de presencialidade dos alunos da Unisul são para avaliações, quando os alunos devem se dirigir aos locais de prova selecionados em cada cidade pólo.

Atualmente, são mais de 10 mil alunos atendidos pela instituição, distribuídos entre os cursos de formação específica para o Exército brasileiro, Senai, Senar, Caixa Econômica, Senado Federal, Ministério da Saúde, entre outros órgãos governamentais, estaduais e federais. Por meio de uma parceria acadêmica com a Universidade Aberta da Catalunha (UOC), instituição que serve também de pólo de apoio para a realização de provas, a Unisul atende dez alunos brasileiros que se mudaram para aquela localidade.

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Metodista e Uniube

Diferentes em suas origens e nas metodologias de ensino, a Metodista, de São Paulo, e Uniube, de Minas Gerais, integram a lista das IES brasileiras com foco no ensino a distância. Com uma tradição de 76 anos no ensino presencial, há cinco a Metodista vem atuando com o EAD. A instituição aguarda autorização do Conselho Nacional de Educação (CNE) para ampliar sua área de atuação para além do Estado de São Paulo. Com cursos nas áreas de teologia, educação (formação de professores) e gestão e tecnólogos, a Metodistaministra seus programas a distância por meio de aulas gravadas, distribuídas via satélite para seus nove pólos de apoio presencial no interior de São Paulo. Os pólos contam com a infra-estrutura própria, com computadores conectados à internet e minibibliotecas de apoio aos alunos, além dos tutores locais.

"Um diferencial que a Metodista agrega às teleaulas é o Pod Cast: programa de áudio disponibilizado nainternet, com aulas e exercícios gravados pelos professores, que podem ser ouvidos e trabalhados pelos alunos", destaca Luciano Sathler, diretor de educação continuada e a distância da Metodista.

A Uniube utiliza a mídia impressa além da complementação de mídia eletrônica. Nos encontros presenciais mensais, os alunos assistem a palestras e conferências gravadas, realizam oficinas de aprendizagem, participam de seminários de integração e fazem exercícios em grupos. Cada tutor atende a uma turma de até 30 alunos, corrige seus trabalhos, bem como as avaliações semestrais.

Todo o material didático é elaborado pelos próprios professores do ensino presencial da Uniube, capacitados para a transposição de conhecimentos para o EAD, e complementados por professores do mercado.O material didático conta com a programação de todas as etapas do módulo, textos para leitura, exercícios, cronograma e roteiro de datas dos encontros, de entrega de trabalhos e das provas presenciais. "Na Uniube, não trabalhamos mais com disciplinas, e sim com núcleos temáticos, buscando incentivar cada vez mais a interdisciplinaridade", destaca o reitor Marcelo Palmério.

Há apenas um ano no EAD e atuando em 25 pólos associados por todo o Brasil, a Uniube possui 7 mil alunos distribuídos em cursos como as licenciaturas e os bacharelados em Administração e Ciências Contábeis, além das graduações tecnológicas (orientadas à área de agronegócio). Recentemente, a instituição fechou acordo com a empresa educacional Microlins e deverá aproveitar a capilaridade de sua rede para multiplicar o número atual de alunos.

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Iesde e Dtcom

A Produção de Conteúdos Educacionais é um subproduto do EAD e um mercado em profusão no País. Dois bons exemplos desses fornecedores do setor, que surgiram no lastro da Educação a Distância, estão localizados no Paraná: o Iesde e a Dtcom. Estas empresas, diferentemente das IES citadas anteriormente, não diplomam os alunos. Atuam nos bastidores do meio, produzindo os conteúdos educacionais que chegam até as salas de aula. O Iesde iniciou suas atividades em 1999, baseando seu modelo de gestão em três conceitos: o Iesde produz, a universidade chancela e os pólos distribuem. Os pólos no Iesde são chamados de Pontos Operacionais de Presencialidade (POPs), presentes em 20 estados da federação, tendo sua maior concentração no Paraná, com mais de 22 mil alunos. A instituição oferece cursos de graduação, pós-graduação, extensão, formação profissional e preparatório para o Exame da OAB, e conta atualmente com mais de 52 mil alunos. Ao contrário de inúmeras IES, que fazem uso do satélite para a distribuição de suas teleaulas, o Iesde desenvolve seus conteúdos em DVD e os distribui aos alunos como parte do material didático. "Buscamos no cenário acadêmico e corporativo os melhores profissionais de cada área de estudo, oferecendo aos nossos alunos o que há de melhor no mercado. Preocupamonos, além disso, com a multidisciplinaridade, envolvendo uma grande equipe na preparação das aulas, que não se limita ao professor na frente de uma câmera. Trabalhamos com uma equipe composta por pedagogos, jornalistas, roteiristas e revisores, além dos profissionais da área técnica que manipulam câmeras, ilhas de edição, de corte, animação e computação gráfica. O que o aluno assiste é um material perfeito", assegura Eliseu Gonçalves, diretor de produção do Iesde.

Todo o acompanhamento síncrono e assíncrono deste aluno é também viabilizado pelo Iesde, por meio de seu portal e tutores. "Entregamos o pacote completo à instituição, com o diploma chancelado nos cursos de graduação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) e para os cursos de pós-graduação, pela Universidade Castelo Branco (UCB).

Com uma proposta diferenciada, a Dtcom atua com o foco corporativo, e não no varejo de cursos de graduação. Por ser uma empresa integradora de conteúdo e soluções tecnológicas, a Dtcom oferece a seus clientes - empresas - não apenas formação profissional, mas também diferentes  formas de se comunicar com seu público, com conteúdos específicos para TVs corporativas. Muito diferente da metodologia das demais instituições, a Dtcom oferece as suas empresas-clientes uma grade de programação completa com aulas gravadas, que podem ser transmitidas às equipes em treinamento, em horário determinado pelas empresas. São três as linhas de conhecimento da Dtcom: gestão corporativa, gestão pública e autodesenvolvimento, com mais de 120 temas diferentes em cada um dos canais durante todo o ano.

Os conteúdos trabalhados pela Dtcom são produzidos por profissionais das melhores empresas do mercado corporativo e por algumas das mais renomadas instituições de ensino do País, entre elas, ESPM, FGV, PUC, FAE e UFSC. Além dos cursos,treinamentos específicos  e capacitação profissional, a Dtcom oferece um curso pré-vestibular para empresas, governos e prefeituras de todo o País e cursos de idiomas.

A entrega do pacote de conteúdos na Dtcom é feita de forma também diferenciada por meio de assinatura. A empresa assinante recebe um decoder e a grade de programação com os diferentes cursos oferecidos pela Dtcom. O estudo realizado pelos alunos é feito 50% nas salas de treinamento das empresas e 50% por e-learning, no portal da Dtcom, onde o aluno tem à disposição as mais modernas ferramentas de ensino por web. "Atualmente, temos mais de 170 empresas assinantes e   mais de 2.500 salas de treinamento espalhadas por empresas de diversas áreas de atuação, em todo o Brasil", destaca Erenice Alencar, diretora comercial da Dtcom.

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